História


A história da escrita


Escrita Desenvolvimentos tão importantes,porém, nunca chegam com facilidade. A escrita, invenção relativamente recente,
Os exemplares mais antigos conhecidos datam de  cerca de 20.000 A.C.

Os primeiros sistemas de escrever aperfeiçoados,que viriam a influenciar a nossa Civilização Ocidental,datam de 5.000 A.C.
O estudo, a localização no tempo e a avaliação destes aperfeiçoamentos não nos interessam diretamente, neste caso a não ser para demonstrar a extensão e a lentidão do progresso.

As línguas primitivas, exemplificadas pelos hieróglifos egípcios, eram pictóricas.
Cada símbolo ou era representada por um pequeno desenho e as eram representadas por uma série de figuras descritivas.

A escrita cuneiforme dos antigos Babilônios, Assírios e Persas foi conservada. Sua escrita ainda existe,devida a pratica de esculpir em pedra ou escrever em tabletes de barro,os quais eram levados ao forno, a fim de deixar um registro permanente.
Isto representava considerável progresso em relação a escrita em desenhos, pois, nelas as figuras também podiam representar sílabas, as quais soavam como a palavra original.
Uma ilustração em português seria escolher um símbolo para casa e usá-lo em palavra como casado ou casamento.

É de interesse notar-se que uma das exigências contida no sistema mais antigo de normas legais conhecido no Ocidente, (o código de Hammurabi - datado de aproximadamente 2.000 A.C.) è de haja testemunhos escrito nas ações legais e transações comerciais.
Eis aí o reconhecimento primitivo de necessidade de existirem registros no mundo dos negócios na vida do homem e demonstra a tendência do comércio em fazer uso dos esforços inventivos.

Os Fenícios, que foram comerciantes e colonizadores do Mediterrâneo Oriental são creditados com o desenvolvimento de uma língua que usava um alfabeto de cerca de 24 caracteres .
Os alfabetos grego e romano descendem deste. Por sua vez, a língua portuguesa empregou o método acima referido de estrutura do alfabeto.

Mesmo com este progresso considerável na língua a escrita era um processo penoso e irritante. Exigia o uso de muitos secretários que, para as pessoas de grandes afazeres(como Julio Cesar) trabalhavam em turnos, usando abreviações e sistemas rudimentares de taquigrafia, para serem depois lentamente copiados.

A história da máquina de escrever


A história da máquina de escrever apresenta quatro fases distintas, estas fases mapeiam toda a trajetória desta grande invenção a qual revolucionou a sociedade e todos os segmentos ligados a escrita até então feita de forma manual.

A Pré História da Máquina de Escrever

1714/1800

Até o ano de 1714 a máquina de escrever estava em um estágio totalmente embrionário, tais máquinas eram engenhos mecânicos muito rudimentares, mas os mesmos representavam um avanço tecnológico em sua época. Em 1714 na Inglaterra Henry Mill registrou a primeira patente para uma máquina de escrever, de forma oficial máquina foi construída por ele. Até 1800 muitas tentativas foram feitas por diversos inventores mas os resultados eram negativos, mas a máquina estava evoluindo lentamente. Fazia-se urgente no campo da escrita uma máquina que solucionasse a tão árdua tarefa de escrever, até então feita de forma manual a qual era lenta e cansativa. Ainda iriam se passar 160 anos para que tal máquina fosse finalmente fabricada mas a história estava em curso.


Protho História da Máquina de Escrever

1800/1850

Neste período a máquina de escrever apresentava alguns avanços significativos em relação as máquinas que a antecederam. Mas as mesmas ainda estavam longe de escrever da forma plena como seus inventores esperavam este feito conseguir. Algumas das máquinas que na época estavam em curso para tal feito: Pena Ktipográfica de Xavier de Projean(1830), Tipógrafo de William Austin Burt(1829), J.H.Cooper, Fairbanks, Jones, Pelegrino Turri, Pedro Foucault, também faz parte deste grupo o padre brasileiro Francisco João de Azevedo(1868) Muitos eram os inventores que tentavam aperfeiçoar seu invento para torná-lo prático e funcional, a ponto de ser industrializado e tido como a solução final para a escrita artificial.


Máquina de Emprego Prático

1850/1870

Neste período as máquinas de escrever apresentavam grandes avanços no campo das idéias mecânicas, essas máquinas apresentavam excelentes resultados. Contudo poderiam dizer que essas máquinas não eram práticas, pois as mesmas não produziam trabalhos perfeitos, nem apresentavam resultados em tempo eficiente. Seu mecanismo era muito complicado e de alto custo, alguns exemplos: a máquina de Oliver T. Eddy, José Ravizza, Elli Beach, Francis, John Pratt e outros muitos inventores. A máquina de escrever estava a quatro anos de ser lançada no mercado de forma industrializada e a mesma ainda enfrentaria oposições como em 1450 que J. Gutenberg enfrentou quando este apresentou ao mundo sua invenção que revolucionou todo o método que até então era usado na época para escrever.

Máquinas Fabricadas Industrialmente

A partir 1874

A partir de 1874 a máquina de escrever começa a fazer parte do dia a dia até 1880 a máquina encontra oposições daqueles que sentiam-se de alguma forma ameaçados. Mas a partir de 1880 o mercado de trabalho para o qual a máquina havia sido idealizada finalmente abriu suas portas de formas definitivas. Desde então a história atesta os incontáveis benefícios que a máquina trouxe para a evolução da humanidade.

Prensa de Gutenberg

Também existia a escrita feita através da prensa gráfica, mas os textos tinham que ser montados em clichês ,uma espécie de moldura na qual o texto era montado manualmente letra por letra, este era um árduo trabalho e tinham que ser feitos testes de nitidez para ver se não haviam tipos imperfeitos estes tinham que ser trocados.

Esse trabalho era desenvolvido em gráficas através de prensas manuais e em tempos mais modernos foi aplicada nestas maquinas motores elétricos que por sua vez tornou o trabalho mais rentável e menos cansativo.

Não quero nesse momento aprofundar-me no capitulo da história da escrita mecânica através da impressão gráfica, pois a prensa de Gutenberg foi colocada em uso em 1450. Antes disso toda escrita era feita de forma manual, a vantagem da escrita através da impressão estava no seguinte fato. A partir do texto montado eram impressas um número sem limites de copias e isto revolucionou o mercado da escrita.

Mas ainda persistia a necessidade de uma máquina que escrevesse de forma manual e que a mesma tivesse tipos gráficos independentes os quais pudessem ser acionados manualmente ao comando de um simples toque como o piano, uma tecla para uma letra.




Muitas pessoas cogitavam a possibilidade de tal engenho ser posto em pratica, pois existiam pelo mundo vários protótipos de máquinas de escrever, muitas foram as tentativas de construir tal máquina, eram engenhosidades muitas delas fantásticas dado a sua simplicidade ou complexidade.

Por muito tempo partiu-se da ideia que tal máquina seria como um piano pois o piano tem para cada tecla uma nota, a máquina teria um teclado semelhante. Cada tecla deveria imprimir uma letra por isso muitos protótipos se assemelhavam com pequeninos pianos. Alguns exemplos de máquinas as quais partiam do principio básico piano: Wheatstone (1851), Francis (1857), Ravizza (1857)

Inicialmente desenvolveu-se a parte das barras de tipo móvel em sua maioria estes batiam de baixo para cima e de forma rudimentar a partir de 1858 as máquinas de escrever começaram a tomar formas e design dos mais diferentes tipos. A máquina de escrever ainda era um sonho de pessoas que acreditavam que estavam próximos de inventá-la, o maior problema era desenvolver mecanismos para colocar o papel de forma que este permanecesse estável durante a impressão, outro problema era o espaço entre as letras um tanto irregular, as máquinas até então só escreviam em maiúsculas, haviam muitas barreiras a serem superadas.

O clamor da sociedade era tanto que em 1862 e em 1867 a revista Scientific American publicou um artigo que conclamava: "Quem irá inventar a máquina de escrever? Salientava a necessidade de tal invenção ser finalmente concretizada de forma prática. Citava uma máquina de pequeno porte economizadora de trabalho com grande velocidade através de maquinismo como a agulha e com uma letra legível e compreendida.

Máquina de escrever Malling Hansen 1867Nesse período as máquinas de escrever estavam enfrentando os mesmos problemas por partirem do principio do funcionamento do teclado do piano, ambas apresentavam o teclado semelhante ao piano, mas contudo havia um grande avanço, as letras estavam dispostas em barras de tipo moveis formando um circulo. As letras eram impressas no papel uma a uma ao toque da respectiva tecla, as letras batiam de baixo para cima (up strike) como as máquinas que as sucederiam futuramente, até aqui o problema do teclado e do sistema de imprimir as letras estava basicamente solucionado, faltava agora uma solução definitiva para desenvolver um sistema para fixar o papel durante o ato da escrita esse elemento deveria ser prático e estável em seus movimentos para garantir boa nitidez e a uniformidade da escrita e que o mesmo solucionasse definitivamente o problema, esse problema seria solucionado somente por Sholes em 1873 quando este concluiu sua máquina de escrever que dispunha de um "carro" com rolo para manter o papel fixado, esse sistema garantia uma escrita segura, agora o próximo passo era a sua industrialização.

Até então centenas de tentativas haviam sido testadas em outros países, mas até então todas apresentavam falhas no funcionamento, eram muito lentas, precisavam de grandes melhorias. Mas a historia em relação a máquina de escrever iria mudar, em pouco tempo iria revolucionar o mundo dos negócios. Foi em 1866 quando Christopher Latham Sholes e Samuel W. Soule desenvolviam uma máquina de paginar a qual enumerava páginas de forma seqüencial.

Certo dia um outro amigo este também mecânico observando o funcionamento de tal máquina fez o seguinte comentário: "porque não fabricar uma máquina que escrevesse letras e palavras e não somente números." Este amigo era Carlos Glidden o qual viria a associar-se ao grupo no desenvolvimento de construir uma máquina de escrever que realmente superasse todas as outras que até então não apresentavam bons resultados. A partir desta data os três amigos começaram a trabalhar no projeto de desenvolver tal máquina, o primeiro modelo foi fabricado em 1867 e patenteado em 1868.

Enquanto aperfeiçoavam a máquina escreviam cartas comerciais testando sua escrita e funcionamento, tais cartas tinham como finalidade criar interesse e conseguir ajuda financeira para dar continuidade ao novo invento, fabricação e a venda da máquina de escrever. Uma destas cartas chegou as mãos de James Densmore de Meadville (Pennsylvania), que como antigo impressor se interessou imediatamente pelo assunto e associou-se ao invento pagando todas as despesas até então realizadas e a fez no escuro sem conhecer os inventores e nem a máquina a qual só veio a conhecer em 1868. A mesma apresentava diversos defeitos precisava de aperfeiçoamentos e modificações pois não se tinha nada semelhante para comparar seu desempenho.

Samuel W. Soule se retirou do projeto em 1868 ficando então Sholes e Densmore, durante seis anos eles consultaram técnicos em mecânica, pessoas ligadas ao meio da grafia artificial, como telegrafistas gráficos, taquígrafos e outros para avaliar a utilização da máquina nos negócios. Consultaram Thomas Alva Edison do qual receberam ajuda para o aperfeiçoamento da máquina já que o mesmo também trabalhava em um projeto próprio de uma máquina de escrever mais tarde conhecida com o nome de mimeógrafo de Edison. Nessa época eles haviam enviado alguns modelos de suas maquinas a órgãos ligados a escrita tais como cartórios, correios, telegrafistas, para avaliar sua utilidade de forma prática no uso comercial. A máquina estaria exposta de certa forma ao público, podendo as pessoas conhecer a máquina que despertava a curiosidade de todo o meio ligado à escrita, tornando popular aos olhos do público em geral. Foi nessa época que Sholes batizou seu invento de máquina de escrever, por volta de 1873 a máquina estava bem avançada, estava pronto um modelo tido como apto a ser industrializado para isto precisavam de um fabricante estabelecido, James Densmore entrou em contato com E. Remington and Sons e apresentou os fatos relativos a invenção. Declarou que possuía um modelo para demonstração e pediu uma entrevista e uma oportunidade para apresentar o modelo. A máquina foi levada a Ilion (New York) e apresentada aos Remingtons que após algumas reuniões compraram a invenção em 1º de março de 1873 e foi assinado um contrato de simples fabricação.

Nessa época Sholes vendeu sua parte a Densmore por U$ 12.000 dólares apesar de ser uma boa quantia foi tudo que ele recebeu pela tão maravilhosa invenção que estava para eclodir no mundo dos negócios dentro de mais sete anos. A máquina ainda necessitava de aperfeiçoamentos e logo depois Densmore vendeu sua parte a Remington and Sons aceitando um contrato de Royalty, por via deste contrato Densmore ganhou muito mais que Sholes. Quando Densmore retirou-se do projeto este foi assumido por William K. Jenne um brilhante engenheiro mecânico. Jenne estava destinado a suceder Sholes no campo das idéias mecânicas. Em 1873 foi dado o início a fabricação da máquina de escrever. Começa aqui um novo período na história da evolução da escrita artificial através de elemento de mecanografia. No ano de 1874 é lançada a máquina de escrever de forma comercial com o nome Typewriter ou também conhecida como Remington 1.

Máquina de Escrever Sholes and Glidden Model 1 As primeiras máquinas de escrever não eram muito atraentes. Contudo, eram ricamente ornadas com decorações de fios de ouro, flores pintadas a mão e as vezes incrustações de madrepérola. O primeiro modelo parecia tanto uma máquina de costura que não era de estranhar que uma fábrica de máquinas de costura se houvesse encarregado de seu aperfeiçoamento. O pedal usado para a volta do carro e os espaços das linhas (espaçamentos) logo foi dado como impróprio. Tanto ele como a mesa da máquina de costura foram abandonados no modelo 1, por volta de 1876 por ocasião da realização da feira internacional de produtos manufaturados, feira esta realizada no ano de 1876 na Philadelfia USA. É interessante notar-se que inicialmente, o mecanismo era totalmente coberto., esta prática foi abandonada, gradualmente, preferindo-se deixar o mecanismo a vista para que desperta-se o interesse das pessoas pela mecânica da máquina de escrever, que no momento era alvo de todo tipo de crítica. Mas também havia aquelas pessoas que eram a favor do progresso, o fato é que a máquina causava muita polemica nos meios sociais. A partir da década de 30 a indústria tomou direção oposta fechando a parte do funcionamento da máquina de escrever. A máquina de escrever original escrevia letras e números somente em maiúsculas (upper case) não dispunha de alavanca de reversão para fazer a mudança da caixa (shifting). Tinha um mecanismo que permitia o "one step at a time", características de todas as máquinas posteriores. Tinha um carro que voltava, bem como um mecanismo de espaçamento das linhas para fazer o rolo girar. Barras de tipo penduradas eram dispostas para bater no rolo e uma de cada vez obedecendo ao toque da respectiva tecla. O grande inconveniente que podemos apontar era a escrita ser impressa sob o rolo. O operador não podia ver o que escrevia, a menos que levantasse o conjunto do rolo ou podia este esperar até que diversas linhas fossem escritas só então o escrito estaria a vista do operador podendo assim ser vista. A disposição do teclado no primeiro modelo "pegou",como o fez o nome "máquina de escrever". As letras sofreram pequenas modificações em sua colocação, embora a adição da "tecla de mudança" causasse o reagrupamento dos sinais de pontuação. Densmore e Sholes foram os responsáveis pela tal disposição, embora fossem ambos impressores e editores, a disposição do teclado não seguiu os padrões usados pelos impressores. Aparentemente, surgiu das dificuldades mecânicas dos primeiros modelos. As letras eram colocadas de tal forma a não colidirem durante a escrita. O sistema se tornou praticamente universal, qualquer alteração em sua disposição esbarraria na prática adquirida por enormes grupos de professores, estudantes e datilógrafos do mundo todo.

Máquina de Escrever Remington 2 Inicialmente as vendas foram um fracasso alem de ser muito cara para sua época, cerca de U$125 dólares, não foi bem aceita por aqueles que não abriam mão da caligrafia manual feita com a pena. Também havia os fabricantes de material para a escrita como tinta, penas, mata borrões, tinteiros, e outros periféricos para a escrita manual. A máquina era tida como uma ameaça social para os escreventes o que poderia lhes causar desemprego. O combate a máquina de escrever chegou ao ponto de ser ridicularizada em revistas e jornais da época tentando impedir o avanço da máquina de escrever. De 1874 a 1880 haviam sido vendidas apenas 1000 máquinas e os prejuízos se acumulavam mas o destino estava para mudar. A máquina foi aperfeiçoada por William K. Jenne um engenheiro chefe. Em 1878 foi lançada a Remington 2 e esta veio para definitivamente revolucionar o mundo dos negócios, a partir deste modelo as vendas aumentaram fantasticamente, só no ano de 1881 foram vendidas 1.200 máquinas. A Remington 2 era a primeira máquina do mundo a usar mecanismo de reversão e esta escrevia letras maiúsculas e minúsculas. Seu design era muito bonito e logo foi aceita no mercado, pois as barreiras que antes se opunham não existiam mais. Em 1882 foram vendidas 2.300 máquinas, em 1885 foram vendidas 5.000 e em 1890 foram vendidas 20.000 máquinas. Nessa época os pedidos eram de 100 máquinas ao dia, vinham de representantes de vários estados e até de outros países. Os pedidos eram tantos que a fábrica teve que aumentar suas instalações e em pouco tempo teve que construir novas fábricas, desde então a máquina de escrever atingiu todos os setores da sociedade revolucionando o mundo dos negócios. Esta se fazia presente em todas as repartições públicas, escritórios e também no uso doméstico criando um novo e imenso mercado de trabalho.

Mulher com máquina de escreverDe 1890 a 1920 o mercado de trabalho que envolvia a fabricação da maquina de escrever aumentou mais de 50% a mão de obra dentro e fora das fabricas com isso cresciam as vendas da máquina de escrever. O mercado tinha uma demanda cada dia maior por datilógrafos para compor o quadro de trabalho das empresas e as oficinas especializadas em manutenção das máquinas aumentavam dia a dia. Nesse novo mercado de trabalho a mulher foi quem mais se beneficiou, pois sua presença agora era constante nos escritórios, muitas escreventes se transformaram em secretárias escreventes. O cargo era de tal importância que a maior parte delas eram somente escreventes datilógrafas equivaleria hoje a um digitador de alto nível, pois eram responsáveis por todas as comunicações via cartas e outras formas de comunicação. Foi a máquina de escrever que trouxe a mulher para trabalhar em funções que até então eram executadas somente por homens, escritórios, salas de redações, cartórios, agora conheciam a máquina de escrever e juntamente com ela a elegância das mulheres que estavam inaugurando uma nova era. Nascia então a secretaria escrevente, esta é apenas uma das contribuições que esta invenção tão maravilhosa trouxe para a humanidade.

A máquina de escrever da época em que ela foi introduzida de forma comercial em 1874 até os dias de hoje, proporcionou o desenvolvimento da tecnologia, criou milhões de empregos e trouxe outros tantos benefícios para a humanidade. Seus inventores lutaram para superar barreiras, muitos morreram sem poder ver suas invenções até então um simples projeto ou apenas um protótipo a ser industrializados. Eles não imaginavam que sua invenção estaria presente em museus do mundo inteiro, que seus nomes estariam na história e que suas máquinas seriam nos próximos 300 anos ou mais objetos de colecionismo e admiração. Estes homens visionários do futuro estavam criando um capítulo da história, da qual hoje somos testemunhas e da qual faço eu parte como um estudioso dessa história.

O colecionador


Ronaldo Valim de Oliveira, Especialista e restaurador de máquina de escrever antigasNo relato que farei a seguir, conto breves histórias sobre como a máquina de escrever entrou em minha vida, porém é somente uma pequena parte da real história. Estudos e pesquisas os quais envolvem a evolução da máquina de escrever e sua trajetória a qual revolucionou o mercado de trabalho o qual tinha como base, órgãos de comunicações, jornais, cartórios, gráficas, correios e outros. Todos tinham em comum a escrita como principal meio de comunicação e todos esses segmentos sofreriam mudanças radicais com a introdução da máquina de escrever nos seus meios profissionais. Nesse exato momento, pode estar acontecendo uma nova descoberta o qual envolva a máquina de escrever, seja uma máquina de modelo desconhecido ou de material de propaganda da época ou desenhos técnicos (drawing) patenteados ou não os quais acrescentam mais uma nova descoberta a qual nos da conta de um tempo em que a máquina de escrever era indispensável a todos os meios de comunicações.

Há 28 anos estou envolvido com o colecionismo, máquinas, restauro, estudo e pesquisa de toda sua história por isso o que estou compartilhando aqui é apenas uma pequena parte da minha história neste exato momento. O hábito de colecionar sempre esteve presente em minha vida, até mesmo antes de encontrar minha primeira máquina de escrevereu eu já tinha uma coleção de ferros antigos de passar, com aproximadamente 200 exemplares de diversos modelos. No ano de 1983, quando em uma bela manhã de domingo, ao passar por uma feira de antiguidades, avistei aquela que seria a primeira máquina de minha coleção. Foi amor à primeira vista, comprei-a de imediato. Tratava-se de uma belíssima Underwood Model 5 1901 U.S.A., seu funcionamento é totalmente mecânico e manual, com as laterais e a parte traseira abertas deixando exposta as suas partes internas de sua mecânica. O encanto foi de tal impacto que nesse dia descobri a minha real vocação pois até então gostava de mecânica mas não tinha uma preferência especifíca.

Contudo a máquina não estava em seu perfeito estado, apresentava alguns defeitos e estava enferrujada, levei-a ao único mecanógrafo em atividade na época que poderia realizar uma boa reforma nela, chamava-se senhor Fanucchi, um simpático senhor na faixa dos 70 anos. Disse a ele o que queria que ele fizesse com a máquina e ele me deu a palavra de que faria o melhor trabalho possível. Depois de três meses já tinha encontrado mais quatro máquinas para restaurar, quando enfim o Sr. Fanucchi avisou-me que a máquina estava pronta, fiquei decepcionado a máquina continuava com ferrugens. O Sr. Fanucchi explicou-me que não era possível desmontá-la como eu queria e que ele havia feito o melhor possível. Então eu lhe disse que iria refazer e restaurar pois também tinha um certo conhecimento de mecânica de forma geral. Ele riu, como que de certa forma me desafiando, disse que ele trabalhava nesse ramo há mais de 40 anos e duvidava que eu o fizesse.

Saí de sua oficina resoluto a dar cabo de tal trabalho, e no mesmo dia comecei a estudar a mecânica do funcionamento da máquina. Naquela época inicialmente recorri a alguns vizinhos os quais eram mecanógrafos e não trabalhavam com tal tipo de máquina por esta ser extremamente trabalhosa. Estes amigos ficaram muito admirados com minha determinação em restaurar a máquina. Tais amigos me deram preciosos ensinamentos básicos para que pudesse entender o funcionamento da máquina tais como nome de peças, suas respectivas funções e como desmontá-las, pude ter alguma idéia do trabalho que iria fazer.Com essas informações dei inicio ao desafio e todas as noites durante dois meses participei de ardúas aulas de mecanografia estas proporcionadas pela máquina em questão. Após esse período finalmente a máquina estava pronta e como eu queria, ou seja sem residuos de ferrugem. Então apresentei a máquina ao Sr. Fanucchi ele observou atentamente toda a máquina, de inicio o Sr. Fanucchi ficou relutante em aceitar o fato que eu havia feito o que ele não fizera, mas logo provei o contrário e ele entendeu. Parabenizou-me de pronto. A partir daí fiquei conhecido como mecanógrafo especializado em máquinas antigas, e as pessoas me procuravam para vendê-las ou para restaurá-las.

Não tive a oportunidade de conhecer todas as máquinas existentes, afinal são inúmeros modelos, tanto os conhecidos como os quais ainda não se tem notícia. Isso faz com que o colecionismo não tenha fronteiras, permitindo que os colecionadores sempre estejam em buscas de novas aquisições. Eu, como colecionador, faço o mesmo, e ainda que hoje não tenha mais minha coleção em mãos, já me sinto feliz por poder apreciar a mecânica das máquinas com as quais trabalho e enriquecer meus conhecimentos cada vez mais. Já como restaurador, é muito gratificante poder trabalhar com tais engenhos, cada um trazendo uma história e mecânica que os particularizam até de outros exemplares de um mesmo lote. Com isso, posso definitivamente me declarar um apaixonado pela Typewriter.

Ronaldo Valim de Oliveira